sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Portugal Dans La Presse 2

A Marianne tem uma secção de fait-divers chamada "ils l'ont fait" e às vezes é mesmo necessário reler o título para admitir que elas aconteceram mesmo. Esta semana, uma estória nossa conhecida que aconteceu há já algumas semanas e que eles repescaram agora. No fundo, como eu, que ainda tenho uma ou duas cartas na manga para aqui meter. A vantagem: não vos cobro senão um bocadinho do vosso tempo.

Portugal Dans La Presse 1

De Gonçalo M. Tavares, li dois dos "livros pretos" e um do Bairro. Gostei especialmente dos livros pretos que li, "A Máquina de Joseph Walser" e "Jerusalém". É um escritor jovem e prolífico que se levantava antes da hora para escrever o que pudesse antes de entrar nos horários da sua profissão. Como podem ver antes do texto, dão-lhe duas estrelas ao Sr. Calvino e ao Sr. Kraus. Na verdade, a pontuação máxima na secção crítica desta revista é de três estrelas.
* - On aime
** - Beaucoup
*** - Passionnément
Eles gostam muito.
Eu também.

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Nova rubrica no Mosh - Portugal dans la Presse

Gosto de ler. Gosto muito. É mesmo um dos meus passatempos preferidos. Costumo dizer que uma pessoa que gosta de ler não tem um minuto de tédio, desde que tenha um livro consigo. Chego cedo aos aeroportos, espero em consultórios, vou mais cedo para o café do encontro. Na boa. Eu espero. Por isso, embora pareça paradoxo, não leio em Francês. Nem mesmo em Inglês. Na verdade, gosto tanto de ler (mesmo que já não me lembre qual foi o último que li ou, na maior parte dos casos, como é que acaba um romance) que, estando em país estrangeiro, ouvindo e falando língua estrangeira na maior parte do tempo, desejo, no meu tempo, ler em Português. Também é gula. Sei que seria capaz de ler um livro em Francês no mesmo tempo em que teria engolido sem mastigar uns cinco em tradução Portuguesa.

No entanto abro excepções: uns Astérix na língua dos Gauleses (o primeiro que li em Francês foi “Astérix e os Normandos”, exactamente o primeiro que li em Português); alguma BD; às vezes, os gratuitos; e algumas revistas que compro esporadicamente. Marianne, Nouvel Observateur, a incorruptível Les Inrockuptibles e Fluide Glacial são as mais lidas. A comprar, havendo tempo a roubar aos meus livrinhos: Le Cannard Enchaîné; Siné Hebdo; Charlie Hebdo; Courrier, aqui ainda em formato ajornalado; Le Monde Diplomatique. *

E, por estas excepções, decidi abrir uma rubrica nova aqui no Mosh: sempre que falarem do nosso Portugal, vou tentar digitalizar e meter aqui a notícia, seja ela qual for. Ainda estou na dúvida se abro uma excepção para o português mais referido na imprensa francesa: José Barroso, o “nosso” Durão de má memória. Mas, pronto, uma vez que sempre que escrevem sobre ele é a cascar, também vou pôr. Combinado? Então vamos a isso!

* E, bom, já que perguntam: a Paris Match? No way, a única coisa para que serve essa revista é para molde ao belo logótico aqui do sítio, adaptado por Yellow Cab, mas com direitos de autor tzl.

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

"Incubar a minha gripe no meu escritório sem janela"

É um problema de que sofremos cada vez mais. Noto bem a diferença entre uma geração que aprendeu a viver com o frio e com o calor ou, pelo menos, a vestir-se para uma situação e outra e uma geração que é filha do “pesadelo do ar condicionado” e teima em querer ter frio no Verão (ok, confesso, eu quase sou um destes) e morrer de calor no Inverno. Em relação ao calor no Inverno (e volto a referir que não sou imparcial neste extremo), em França, talvez porque o frio aperta mesmo e eles desaprenderam há algumas gerações a viver sem aquecimento central, exagera-se. Mais ainda que em Portugal. Entram-se numa estação de comboios, num aeroporto ou numa esplanada (!!!!!) e tem que tirar-se o casaco e a camisola. É absurdo e é algo que me irrita tanto que não resisti a copiar um páragrafo de uma crónica de Alain Rémond (seja ele quem for) na revista semanal Marianne. E copiei-o porque está tão delicioso na descrição de uma realidade que sendo geral parece absurda que peço mesmo que o leiam em Francês:

« Il fait tellement chaud, dans mon bureau sans fenêtre, qu’on est obligé de faire tourner le ventilateur. Le gros ventilateur, celui qu’on fait marcher en été. Quand on a trop chaud. S’il fait chaud, dans mon bureau sans fenêtre, alors qu’on est au mois de novembre et pas du tout en été, c’est à cause du chauffage. Il marche tellement bien, le chauffage, qu’on n’arrive ni à le baisser ni à l’arrêter. C’est un chauffage moderne, avec télécommande à infrarouge, minuterie et tout le bazar. Qui fait clim quand il fait chaud et chauffage quand il fait froid. Là, il fait tellement chaud qu’on aimerait bien mettre la clim. Mais comme c’est le chauffage qui est censé faire la clim et vu que, s’il fait chaud, c’est à cause du chauffage qui chauffe, pour avoir un peu moins chaud on est obligé de faire tourner le gros ventilateur, à default de la clim qu’on ne peut pas avoir. Vous me suivez ?

Avec tout ça, j’ai un rhume. Un gros rhume. Quintes de toux, éternuements et nez qui coule en veux-tu en voilà. Et tête qui chauffe comme le chauffage, qu’on ne peut ni baisser ni arrêter. C’est vraiment le moment ou jamais d’être chauffé à mort et ventilé à mort dans un bureau sans fenêtre. Alors, je tousse, j’éternue et j’ai le nez qui coule, tout en prenant en pleine figure les giclées d’air du gros ventilateur. Ça ferait moins de vent dans les bronches. On a essayé, qu’est-ce que vous croyez ? Résultat ? On a cru mourir, tellement il faisait chaud, encore plus chaud que chaud. Ce n’est pas qu’il fasse moins chaud avec le ventilateur, notez bien. Mais on a l’impression qu’il fait moins chaud. C’est toujours ça de pris. »

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Sabe tão bem...

...Voltar a trabalhar em Gaia, poder vir almoçar a casa, de carro, cruzar-me com os colegas e falar "do nosso PORTO", tomar um cafézinho e perguntar pelos filhotes das colegas, fazer conversa de ervanário (como diria o Lois), comprar o Público (com Y e Inimigo) na bomba de gasolina.
Just like the old days

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Vitórias e Derrotas

Os feriados servem para isto mesmo: para podermos evocar acontecimentos ou datas importantes e não as deixar cair no esquecimento. Hoje é feriado por aqui. 91 anos que terminou oficialmente a primeira guerra mundial (global?). Como escrevi ontem numa sms ao Fora também nós fomos lá dar com os costados. E de que maneira. E, uma vez que cá ando a dar com eles, de uma forma infinitamente mais leve, também aproveito para não fazer nenhum.
Mas, para além da tão ansiada folga, apesar das (conseguidas) tentativas neo-liberais para abrir todo o centro comercial, supermercado e loja disto ou daquilo, o que é verdadeiramente importante é não deixar de comemorar (ou lembrar, se não for caso para isso) os eventos que importam e, porque não?, deixar cair os que já não interessam a ninguém.
Por exemplo, hoje veio cá a Angela Merkel, discursou perante os Franceses em aniversário de uma derrota da Alemanha. Achei um bocado podre o Sarkozas fazer a cerimónia no Arco do Triunfo, mas deve ser só paranóia minha. Sem complexos, adiante.

Exemplo de feriados a não deixar cair em Portugal, independentemente das vozes do costume:
  • 25 de Abril
  • 5 de Outubro
(Pelo menos, enquanto houver uma ditadura no mundo e um só país debaixo de um sistema que faz do acaso da filiação uma nomeação de um soberano)

Exemplo de feriados a eliminar do calendário:
  • Aquela quinta-feira em Junho que ninguém sabe o que é (é o Corpo de Deus, e tb pode ser em Maio)
  • A terça-feira de Carnaval - devemos ser o único país "civilizado" do mundo a achar que devemos ter direito a essa estupidez. Se o feriado anterior eu posso aceitar por poder hipoteticamente significar algo para a maioria católica do país, este é absurdo
De resto NUNCA por NUNCA admitir a deslocalização de um feriado (seja por calhar num Domingo, ou numa terça, ou numa sexta) e nunca deixarmos de nos perguntar por que existe ele e pensarmos que normalmente só fazemos os feriados em que fomos vencedores e devíamos falar dos feriados dos países que nos "venceram" e o celebram. Sempre podemos aprender alguma coisa. Veja-se a senhora Merkel hoje, por exemplo...

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

(Não) escolher

Ao cruzar a entrada, de gravata a apertar o colarinho no ar condicionado do escritório, quase tive pena dele.
Numa qualquer vida paralela, eu, guedelhudo, cabelo apertado na nuca, dois brincos numa orelha e piercing no sobrolho, também trago uma t-shirt dos Maiden debaixo de um casaco da SEUR. Da TNT? Da DHL?
Também eu pingo três gotas de suor depois de ter subido os seis andares do prédio com uma encomenda aos braços.
Também o meu colarinho me faz suar o pescoço mal vejo que o elevador está avariado, mesmo antes de pôr o pé no primeiro degrau.
Também eu volto a descer as escadas, estou na carrinha, ligo a ignição e ouço o ronco do motor a esforçar-se para arrancar abafado pelo som dos Ministry. AC/DC? Motorhead?
Também eu faço as oito horas de serviço, gastando uma porção do meu magro salário numa sandwich rançosa para acabar as entregas antes das cinco e meia e evitar a hora de ponta no regresso a casa. Sem pensar no dia seguinte.
Sem me preocupar com equipas, com agendas, com prazos, com problemas que zelo para que sejam resolvidos.
Sem pensar em nada disto, conto também os minutos para o fim-de-semana, e faço cruzes nos feriados que não calham a um Sábado ou Domingo (já me roubaram mais um!) para me sentir feliz e realizado com esse outro eu.
Tiro o casaco do Express Mail
(a gravata?)
passo-me debaixo do chuveiro e vou para o tasco encontrar o pessoal
(são os mesmos)

Teria, absolutamente da mesma forma, sido falho de coragem para vir para Paris de guitarra às costas para tocar no metro. Ou carregado de telas e tintas
(mais baratas ali)
para me instalar na Place du Tertre
(nunca soube desenhar)
ou armado de folhas e ideias para escrever o meu romance enquanto morria à fome num sótão de Montparnasse.

Teria sido tão falho de coragem ou tão visionário como fui quando decidi deixar a banda de Heavy Metal e mais aquela malta toda na garagem com cheiro a tabaco onde ainda devem estar hoje para dedicar a vida à (na altura) mulher da minha vida e às viagens para a cidadezinha de castelo altaneiro onde fui caloirar.
Na verdade: visionário: a verdade é que lancei tantos álbuns como os que continuaram (nenhum), vendi tantos quadros como os melhores desenhadores da turma e ganhei tanto com os livros como a maioria dos bons escritores ganha hoje.

***

Há uns meses largos decidi pôr na balança, talvez para me convencer que não era falhado nenhum (apenas um caguinchas), o que ganhei e o que perdi
(o que ainda podia perder e ganhar)

E pesou-me
  • A reunião às cinco da tarde para discutir o abstracto e sair com a lista de compras de duas páginas
  • O nervoso de me perguntarem como estamos disto e daquilo e ter que responder sem responsabilizar outros
  • O verdadeiro stress de me sentir abaixo de nível onde quer que esteja e mesmo assim fazer um esforço tremendo para disfarçar (e, às vezes, conseguir)
  • O não poder dizer, sempre, às cinco e meia, "tanto faz, mais meia hora e piro-me"
  • Ver cinco caras a olhar para mim e a perguntar: "e agora?" e ter que dizer uma merda qualquer

Mas do outro lado tentei ver as compensações
  • As férias são para todos e, sabendo parar e levá-la bem, ainda por cima dá para ir aonde se quer
  • Não contar os dias para o fim do mês nem ligar muito a preços (mas ajuda saber gastar menos do que o que se ganha, é certo)
  • Curtir o fim-de-semana na boa (também é preciso saber dizer "Isso não é comigo!")
  • Apesar de ter jurado nunca usar fato (casar, nem pensar e no baile de finalistas não pus os pés) acabei por preferir usar um fato e um nó de gravata que uma calcinha d'ir ao pito com camisinha à beto
(só tenho dois estilos de roupa: a farda número 1 para trabalhar e as calças rotas com a camisola no resto do tempo - e tudo com cores muito parecidas para não pensar, roupas até rasgar e modelos base que troco quando acabam sem grandes inovações)
  • Realização profissional, variação de rotina, etc, etc, etc, sinceramente não ligo por aí, acho que é p'ra frouxos. É deixar-me ganhar o milhões e vocês vêm a carreira e o que vier à frente...

Em suma, sempre que vejo o tipo esfarrapado a esgalhar uma viola estropiada por encontrões e com fita adesiva cabong das bebedeiras constantes, com a trouxa na rua e banho de há duas semanas, não deixo de pensar que é só um tipo como eu, com tanto talento como eu e com um bocado mais de azar.
E que, se lá chegar, pode bem cagar-me em cima, vomitar-me no sapato engraxado e chamar-me cobarde vendido e eu ainda devia pagar-lhe direitos de autor por isso, que nem todos são Henry Millers ou Picassos.

Queiram os Deuses que acabe por se safar.
E que nós nos safemos também.

***

Por isso, acabo o café, vou à casa de banho, fecho-me e apoio a tola na parede, sinto-a a apertar contra mim, como se o prédio estivesse a tremer, respiro fundo, saio
E volto à reunião, botão do colarinho desapertado.

sábado, 24 de Outubro de 2009

Hamburg nach alles

Só para partilhar com a malta: terminei o meu mini (mas cansativo) périplo europeu com Hamburgo, uma cidade encantadora que tive o privilégio de cruzar numa bela volta turística antes de um excelente jantar de peixe.
Tem tudo: mais canais do que Veneza, dois lagos, um porto marítimo (creio que o segundo da Europa), pessoas simpáticas, belas e espaçosas casas a dar para as ruas e para os canais e, aparentemente, animação nocturna (a deixar para uma próxima).

segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

Brrrrrr!

Hoje, liguei pela primeira vez um aquecedor. Quem me conhece sabe que sou calorento. À excepção de uma situação: a saída do duche. Para já, foi esse aquecedor que liguei. Mas estou quase quase quase a ligar um na sala. Entretanto, ainda resistimos. Alguém vai quebrar entretanto, eu sei. Porque já faz cá um friozinho...

quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

Milão - 4ª Viagem do ano (que eu me lembre)

Pois é, afinal quase não chegava a atravessar os Alpes. A verdade é que apanhei o táxi (cinco e meia) desde o Sudoeste de Paris até ao Charles de Gaulle em Roissy, a Nordeste de Paris e a 40 km do chez moi. Acontece que, em pleno periph, rodando a 90 à hora, acordo das brasas por que estava a passar para ver a taxista agarrada ao volante do mercedes a tentar mantê-lo agarrado à estrada e não chocar com o carro da faixa da direita. Juro que foi pura adrenalina, mas passou, ufff, ainda há quem tenha medo das aterragens. Ou mesmo dos taxistas portugueses.
Mas cá estou de volta, ainda não foi desta ;-)

A Favor: o excelente jantar num eléctrico (sim, como os do Porto) que fazia uma volta pelo centro de Milão, partindo do belíssimo Castelo Sforzesco (onde chegou a trabalhar Da Vinci) e passando por Duomo e pelo Scala. Ver foto.

Contra: As usual, o trabalho. Não posso mandar ninguém por minha vez?

segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Retour à Paris

Algumas impressões deste regresso a Paris:
  • A cabeça vergada pela ressaca monstra da noite de Sábado
  • Uns graus abaixo do Verão Português que me apanhou este fim-de-semana
  • E uma chuva miudinha, claro!
  • As saudades da taxista que ficou sozinha a tomar conta do sítio
  • As saudades que já tenho outra vez de casa, do mano, dos amigos...
  • Algumas revistas para ler... em Português
  • O meu colchão daqui é verdadeiramente uma merda e vou ter que arranjar outro
  • Dormir rápido para o trabalho e ainda mais rápido hoje que amanhã levanto-me às 4h30 para atravessar os Alpes mais uma vez em direcção a Milão

quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

Para os mal informados

I'M BACK AGAIN

segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Amarelo-esverdeados ou sociais-democratas?

Como é possível que no "Bom Português", da RTP1, digam que deve dizer-se "amarelo-esverdeada", mas no telejornal, suponho que por convenção escrita em livro de estilo, falem constantemente em "sociais-democratas" (aaaarrrghhh)?
Não tem amarelo em amarelo-esverdeado a mesma função que social em social-democrata?
E onde raio andas tu, Isabeluska, quando eu tenho dúvidas destas?

sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Some nights are better than others

De súbito, vi-me em casa dela, copo de mojito na mão. E quando lhe passei o isqueiro para ela acender o cigarro, ele caiu ao chão. Abaixei-me para o apanhar e olhei para as pernas dela, mesmo ao meu lado. Pernas boas, branquinhas, em cima de um tacão alto sexy que me atraíu para o tornozelo direito. Quando o beijei, picou-me uma ferroada de auto-consciência, mas ainda subi um centímetro da perna antes de parar e olhar para cima sem imaginar como me poderia sair desta. O sorriso dela deu-me sinal verde.
Então, continuei a beijar.
Beijei um lado da perna e o outro lado da perna. Beijei a barriga da perna. Beijei o joelho, toda a superfície do joelho. Ir atrás do joelho exigia uma ginástica que podia correr mal e eu não queria arriscar tudo. Mas fui lá e voltei à frente.
A partir daqui foi sempre a descer. Beijei a coxa, ia mordendo em toda a extensão da largura enquanto subia, como se fizesse a estradinha em curva até chegar ao alto da montanha.
Que boas coxas. E ainda só estava na direita. Estava com a cabeça desvairada. A saia azul descomposta e a minha cabeça a roçá-la e a sentir o perfume, misturado com o cheiro dela, que se pronunciava à medida que lhe cheguei às virilhas. Passei por lá os lábios, enquanto desapertei dois botões da camisa para não sufocar. Desviei-lhe as cuequinhas azuis para o lado e passei-lhe a língua pelo exterior dos lábios. Nunca tinha sequer tocado na boca dela, mas agora estava a trabalhar a outro nível. Ela estava louca, sentia-se o vulcão a entrar em erupção. Eu também. Fui ao outro lado e tornei a descer. (Eu sei que queres que me afunde aí dentro, mas vais ter que esperar). Fui agora à coxa, à outra, a sua coxa direita, e descia mais rápido para lhe beijar o pé. Ela já nem sabia o que fazer voltei a subir ela mexia-se toda voltei-lhe a mordiscar à volta da cona antes de passar a língua molhada por toda a extensão depois de lhe tirar as cuecas meti-lhe a língua com força aaaaaaii ouvia-a a gemer, tocava-me no cabelo no pescoço passava os dedos levantei-lhe as pernas e passei-lhe a língua ao lado do cuzinho voltei à frente e subi para lhe dar um longo beijo na boca
...
ao entrar no elevador dei um jeito ao pé, parti um tacão, e rasguei a meia de vidro, mas estava tão satisfeita e feliz com a vida que só ajeitei a saia ao espelho e retoquei o baton para o caso de a polícia me mandar parar a caminho de casa

segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Adérito e irmão, Lda

Cá recebemos, na semana passada, a Sanchita. E, neste fim de semana, o nosso tasqueiro e o seu mano.
Entre outras coisas, o putito aprendeu que a melhor pita come-se no Marais, bairro judeu "branché" de Paris, embora também haja boas hipóteses no metro ("Deus te abençoe"), quando a linha fecha por um pesado incidente qualquer. Incêndio, dizem eles. Princípios de incêndio, primeiro; e, depois, toca a fechar a estação. E a outra. E a seguinte, mesmo na outra linha. Atentados? Só ao pudor, que o digam as mini-saias e os decotes, não é?
Bem, a Sanchita teve uma aprendizagem mais dura, à força ficou a saber que na Bastilha não se tiram fotos. Não em dia de pastilha, em todo o caso.
Mas, também, andamos cá para aprender e esta vida é um jogo de xadrez que se joga muito distraído ;-)

quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

Greves

Será que só eu é que acho estranho que, de cada vez que há uma greve, a disparidade entre os números dos sindicatos e dos patrões chegue a valores na ordem dos 70% ?
Se calhar sim, porque parece-me que já ninguém fala sequer no assunto quando acontece. Os jornaleiros limitam-se a debitar que "os representantes sindicais referem 90 %, enquanto a administração da empresa diz que só 20 % do pessoal fez greve". E nós limitamo-nos a comer. E calar.
Mas hoje a estupidez e a passividade dos jornalistas excedeu os limites. Como é possível que seres que conseguem perseguir políticos, vipes, pais de crianças raptadas / assassinadas, putos que guardam cabras e jogam golfe, emigrantes que compraram aldeias inteiras e etcétera etcétera etcétera até conseguirem sacar todas as inúteis informações com que nos azoinam a cabeça, não são capazes de verificar quantos vôos foram hoje cancelados pela TAP?
Não lhes parece, a estes iluminados, um bocado esquisito, que uma parte fale em 172 (cento-e -setenta-e-dois) enquanto outra fale em 41 (quarenta-e-um). Só pude ver o da RTP mas suspeito que nos outros canais ninguém foi capaz de dar cada uma das versões e no fim dizer quantos vôos FORAM cancelados. Aposto. E estendo a aposta à rádio.
Porque já estou habituado.
Ora, vão-se foder.

terça-feira, 22 de Setembro de 2009

A reflection

Antecipando-me a todos vocês, eu votei ontem.
Votei em casa, tranquilinho, e o voto seguiu hoje, registado com aviso de recepção. 6 Euros.
Não tive, portanto, direito ao dia de reflexão, nem à "paz de espírito" do dia das eleições.
E então? Já tivemos longas reflexões a este propósito e, de resto, estamos de acordo: o dia de reflexão não serve para nada.
Mas em boa verdade vos digo: o partido em que votei disse hoje algo que me deixaria sempre com pulga atrás da orelha se não o dissesse até sexta.
Estou descansado...

E, já agora, percebo o dia de reflexão: salva-nos de uma estúpida gaffe de último minuto.

sexta-feira, 18 de Setembro de 2009

Já cá canta

É só fazer a cruzinha ou o desenho. Ou dobrar e enviar pelo correio. Descubra as novidades: leia o boletim de voto e seleccione os novos oportunistas em busca do seu votinho...


quarta-feira, 16 de Setembro de 2009

E atirar-lhe com um cavaco?

Se é que posso sentir-me orgulhoso de um "não-voto", sinto-me orgulhoso de não ter votado no actual presidente da república.
É o chefe de estado mais deplorável que poderíamos ter e o pior do período democrático.
Nem sequer tomo como exemplo (não é exemplar da sua postura habitual, de facto) a piada do sapato, mas posso tomar como exemplar o facto de ponderar seguir um conselho de um assessor de falar muito sem dizer nada.

Exemplos de frases recentes:
"Não compete ao presidente da república comentar blá blá blá..."
"O papel do presidente da república não pode ser de intervenção na vida política ao nível de blá blá blá..."
"Tenho que deixar funcionar as instituições sem contribuir blá blá blá..."
"O presidente não faz comentários sobre blá blá blá..."

Um estilo, sem dúvida.

MAS SOBRE QUE CARALHO É QUE ESTE GAJO TEM UMA OPINIÃO?

E agora as piadas? A do Jipe carregado de dossiers? A do hipotético assessor de imprensa?
E a Maria a rir-se com aquele ar de apaixonado?

Mas desde quando é que o sentido de humor rima com o cavaco?
Será que o tipo anda a ler algum livro de auto-ajuda?

Lembram-se quando Soares disse, durante a última campanha presidencial, que o Cavaco não podia estar a representar o país fora de portas? Que "não tem conversa"?

Mas não é só. O homem foi dos piores primeiros-ministros que tivemos. E não me venham falar do Guterres. Não, não me venham falar do Sócrates. Não gostei de Guterres. Não gosto do Sócrates. Mas o Cavaco teve mais oportunidades que os dois juntos. E não estou a falar de tempo ou de estabilidade na assembleia. Ele teve uma conjuntura de feição e fundos para distribuir.
Ele (com responsabilidade para os seus ministros) deu cabo da minha geração com a piada do dinheiro fácil, das aparências, do desleixo pelos jornais, os livros ou a música (apesar do cunhado). Eu sei que "enriquecemos" muuuuuito. Eu sei. Eu vi contabilistas virarem novos-ricos, mulheres da limpeza comprarem mercedes, trolhas fazerem casas com piscina. Enriquecemos, isso é verdade. Continuamos a ser um país rico, aliás.

Mas lá que me envergonho do tipo, ai isso é que me envergonho.

terça-feira, 15 de Setembro de 2009

Para o Funes: Placona

Com direito ao Passé Simple do verbo Vivre. Acho que foi a única forma verbal que o Larocas, meu antigo prof de Francês saltou, mas é demais :-)

domingo, 13 de Setembro de 2009

Serviço Público: Como passar uma camisa a ferro

O Paris Mosh é serviço público. Este texto vai comprová-lo. Expondo-se a vários perigso, perdendo umas boas horas do seu fim de semana, aplicando esforço físico e mental, este vosso criado apresenta-vos:

O Manual de Bem Passar Camisas a Ferro

Uma camisa não tem vantagens. Só a usamos porque tem que ser. E o que tem que ser tem muita força. Ponto final. Preferimos vestir uma simples t-shirt ou uma sweat. É simples. É bonita. Não dá trabalho a escolher, lavar ou passar a ferro. E podemos meter uma camisola por cima se tivermos frio. Mas no nosso trabalho, são as camisas que temos que suar. E quando as suamos, metêmo-las na máquina, acertamos o programa certo com o detergente indicado e depois vem o pior: engomá-la...

Os preliminares:

Não use máquina de secar. Passar uma camisa é uma complicação. Passar uma camisa completamente seca é tortura, é trabalho ingrato e mal sucedido. Tire a camisa ainda molhada da máquina e estenda-a a secar, de forma a deixá-la desde logo o mais direita que lhe for possível. Tente recolhê-la ainda um nadinha húmida. Facilita. Mas antes ainda...
Encha um copo da sua bebida favorita. Alcoólica, claro. Mas não demasiado. Eu gosto muito de vodka limão, mas para isto não serve. Passar a ferro aquece. E bebe-se muito. Não queira acabar a segunda camisa a cantar, a cambalear e a fazer tudo ao contrário. A menos que seja estilista ou pintor, casos em que uma camisa toda torta não é desleixo, é atitude. Em suma, é melhor que seja uma bebida fresca. Cerveja serve perfeitamente. Sirvamos, pois.
Instale um CD. Ponha alto. A música é sempre boa companheira e ouvir um bom álbum dá-lhe a impressão de que o tempo que passa a passar (bonito!) não é completamente perdido. Metal serve perfeitamente. Carregue em "play".

O equipamento:

A tábua de passar vulgar é a tábua a utilizar. Também não conheço outras. Quanto ao ferro, não use o tradiciona. A sua avó desenrascava-se na boa com ele. Mas a sua avó não ia para noitadas com os amigos, não gostava de passear à beira-mar e não tinha muito sexo. Por isso, use um ferro a vapor ou de caldeira. Já experimentei o de caldeira, agora uso um a vapor. Cumpre, é mais barato e não se avaria tento.

A técnica:
  1. Colarinho antes de tudo. Do avesso. Do direito. Depois dobre bem e passe o vinco.
  2. Passe os punhos. Avesso. Direito. De uma manga. Da outra.
  3. Agora vamos às mangas. Temos que começar pelas mangas. Absolutamente. Se fizer as mangas depois do resto, depois tem que refazer o resto. Se quiser experimente. Mas confie aqui no artista. Em qualquer processo, a preparação é tão importante como a execução. Antes de meter ferro no pano, alise quanto puder com as mãos, tentando que a camisa fique "bem" mesmo antes de começar. Uma parte do vinco, mesmo que esbatido e difuso, ainda lá está. Aproveite. Se não, pegue na costura ao longo da manga e dobre bem por ali. Alise com as mãos e dê derro. Com peso. Aí vai disto. Vá andando. Se não estiver confiante, vá virando de um lado ao outro com calma. Porquê? Porque se passar de um lado e houver "montinhos" do outro vai ver-se FODIDO para desfazê-los depois.
  4. Quando as mangas estão planas como o país do post ali em baixo, meta os ombros da camisa na extremidade mais fina e arredondada da tábua. Está a ver de que é que estou a falar? Não sei nomes técnicos das peças de tecido de uma camisa, mas é aquele naco de pano costurado na parte de cima das costas e que lhe vai assentar nos ombros. Ponha-o direitinho, rodando a camisa pela ponta da tábua e depois passe para o ponto 5.
  5. Ponha a mão no seu coração, como se estivesse a cantar o hino. Já está? Agora mais acima um bocadinho. OK. Imagine que é ESSA parte da camisa que assentará agora na tábua. Deixe ficar de esguelha. Conseguirá passar a parte que "cola" ao colarinho, uma parte das casas dos botões e um bocadinho do bolso (se o tiver). Chega também à costura da manga, que limpará de rugas qual peeling numa caneças. Agora vá chegando a tira das casas dos botões para cima da tábua até chegar à horizontal e passe sempre. Com força e, se quiser, alisando com a mão. CUIDADO: o ferro está ao rubro. Se calhar, a esta altura, já teve que abastecer o ferro de água e (várias vezes) o corpo de cerveja. Afaste-me esse braço do ferro (o seu, não o da camisa). Ou então pode comprar uma guerra. Veja a imagem. Não disse que isto tinha sido uma missão de alto risco? Se não disse, deveria ter dito.
  6. Rode a camisa até ter a costura que liga as costas à parte frontal (digamos assim, para simplificar) no centro da tábua. O sovaco (digamos assim, ...) está apoiado na extremidade da tábua. Dê ferro de ambos os lados na direcção da costura. Está a ficar um mimo. Vamos às costas.
  7. Esta parte é fácil. Excepto se as costas tiverem dois vincos verticais que dividem a parte superior em 3. A maior parte das camisas têm-nos. Paciência. Tente passá-los sem estragar. Se tiver dificuldades a endireitá-los, "desfaça" a parte inferior com os dedos e passe só um bocadinho. Para meter nojo. Atenção às mudanças de CD. Um professor da Taxista uma vez deu uma aula com uma camisa branca que tinha o ferro desenhado a castanho nas costas. A menos que seja um excêntrico intelectual, evite pousar o ferro na camisa quando for trocar de garrafa ou fazer xi-xi.
  8. Já está? Então continue a rodar e repita o ponto 6. Eu faço no sentido dos ponteiros do relógio, mas esteja à vontade. Não se acanhe.
  9. Termino na parte dos botões, passo entre estes para alisar e repito no sentido inverso o que fiz no ponto 5. Beba mais um golo da cervejinha e vá buscar outra. Afinal, haverá mais camisas para passar.
  10. Quando tirar a camisa, estenda-a com as mãos e aprecie o resultado. Se houver rugas, volte a estendê-la na tábua para dar AQUELE retoque.
  11. Continue a passar camisas, vai melhorar a cada repetição. Troque de garrafa (ou de cêdê) as vezes necessárias. Pendure a camisa numa cruzeta com o botão do colarinho apertado e os outros aperte botão sim botão não.
Conclusão:

É melhor, em podendo, pagar para que façam isto por si. Eu não posso. Por aqui, a 3 europeus a camisa, não é fácil. Ontem passei oito. Se pagasse, gastaria o equivalente a uma camisa. Fraca ou em saldos, mas uma camisa. É dinheiro.
Se for de outros tempos, ensine estas técnicas à sua mulher. Vai ver que ela consegue fazer isto de uma forma muito mais natural. Se fizer parte de um "casal moderno", foda-se. Faça como eu, curta uns copos e uma musiquinha.

domingo, 6 de Setembro de 2009

Brochelândia (o resto)

Pois, como podem ver pela imagem, i made it. Mas não sem pagar por isso. À quarta instância (nisto somos todos iguais) lá me disseram que não, não me poderiam emitir uma cópia do bilhete uma vez que o meu tinha sido retirado antecipadamente da caixa. Ou seja (parêntesis), para armar ao prevenido indo levantar o meu bilhete dois dias antes não deixando para a última hora, fui obrigado a pagar um bilhete à entrada do comboio, no terminal multibanco do Chef de Bord que, mesmo depois de lhe ter explicado a história, insistia que se o meu bilhete "não foi levantado será reembolsado". "Mas o meu bilhete foi levantado. Por mim. Há dois dias", dizia eu. "Pois. Tem que pagar. Pode colocar-se depois da carruagem-bar". "Não, eu vou para o lugar que EU já tinha pago". Resumindo e baralhando: tive que dar 96 €, reembolsáveis a metade se for entregar o bilhete antigo a uma agência SNCF. Isto, se eu tiver percebido bem. Grrrrrrr. E isto é o bilhete de IDA. Na volta, teria que pagar mais 86 € (reembolsaveis a 50 %, se...). Entretanto, liguei à yellowcab company para me enviar o bilhete para a empresa em Bruxelas a entregar dia seguinte de manhã. Telefonema a meio da reunião: 44 €. Esquece. Mas já lá vamos.
Reunião dia 1: tranquilo, eu estava de personagem secundário.
Avancemos: Reunião dia 2 - menos mal, lá correu.
Rewind: Noite do dia 1. Cerveja. Jantar num super-restaurante nas galerias. Belíssimos croquetes de camarão, excelente comida, um bom vinho branco e um bom tinto (ambos da Brogonha) e nem um cm3 para sobremesa. Na parede, procurava os cartazes para perceber se os eventos culturais eram mais francófonos ou flamengos e o que vejo? "O meu querido mês de Agosto". Ele há coincidências... Onde vais, Agosto? Saída do restaurante, passagem na Grand Place onde ia haver uma mostra de fabricantes de cerveja. À laia de abertura, um edifício da praça (igreja? museu? palácio?) vestia-se e despia-se de efeitos luminosos, ao som de orquestra que enchia a praça. Lindo. Uma cerveja (mais). Confesso que estava um bocado acima dos zero-cinco e cansado e preocupada pelo day-after. A pé até ao Hotel. Ruas super-animadas, muito frequentadas, as inevitáveis putas de Brussels (um grau abaixo de euro-deputado) e a cama para uma noite de sono rápido.
Como poupar uns euros?
Um colega bem conhecido vinha para Paris de carro. Trouxe-me. Perto de Lille, uma zona industrial. Reparo na fachada de uma fábrica . Está escrito "SIMOLDES PLÁSTICOS".
Não estou em casa, mas estamos em todo o lado e isso é que interessa. Que assim continuemos, ainda que me faça falta a casinha.

sábado, 5 de Setembro de 2009

Brochelândia

Então, pessoas, tudo bem?
Eu sei que vocês se preocupam comigo e gostam de saber como eu ando, como é que foi o meu regresso e que tal corre o trabalho. Bem, eu posso responder a isso. Também não sou gajo de fazer "caixinha": mal, muito mal. E porquê? Mas será que este gajo só se queixa?
Todos os anos, a fim de Agosto ou no início de Setembro, entro naquele estado a que o vulgo chama "depressão pós-férias". Para os inocentes felizardos que ainda não sabem o que é isso, ou para os infelizes trabalhadores que não sentem isso, eu explico: é o equivalente àquele estado que o vulgo chama "depressão de Domingo", mas multiplicado pela diferença entre os dias que se passou de férias e o número 2. A resposta, notando bem, é estúpido. Os dois grupos de pessoas acima referidos provavelmente nunca sentiram a depressão de Domingo. Para esses: é, como explicar?, uma MERDA. Como se andassem durante 3 semanas a alternar entre comer a Kate Moss e a Giselle Bundchen (substituir por George Clooney e Brad Pitt para elas) e depois serem obrigados a comer, durante o ano todo, a gorda do talho (substituir pelo gordo do talho para elas).
Bem, comparado com voltar ao trabalho, comer a gorda do talho parece-me muito bom.
Acontece que, desde que trabalho, consigo chegar de férias e ter uns dias (sejam dois) nas calmas, em que dá para ler as muitas dezenas de mails que foram caindo, tratar uma boa parte e pôr-me ao corrente do que se passou na minha ausência, dizer onde passei férias e saber onde os outros passaram as férias. Tratar os mails significa passá-los em revista (lê-los), responder aos rápidos, apontar ou marcar para posterior leitura os que necessitam de trabalho e deixá-los na lixeira de resíduos atómicos a que chamo INBOX ou uma das pastas de arquivo.
Depois, paulatinamente, vai-se "entrando no ritmo". O pessoal vai chegando, levantar cedo nunca chega a ser um hábito mas vai-se tornando um sacrifício mais suportável e breve é Natal. Mais um detalhe (serve de conselho aos neófitos): evito a todo o custo "chegar" numa segunda-feira para não fazer logo a frio cinco dias de enfiada. Ora, este ano cheguei numa sexta-feira, directamente para um sítio cheio de estrangeiros e tive reunião a tarde toda com um tipo que engoliu um frasco de anfetaminas logo à nascença e que detesta tempo livre. Depois fui para fds (ver rock en seine abaixo) e tive uma semana de cão (incluindo voltar a lavar loiça e arrumar a casa) com reunião e conf-call para falar de custos - assunto ao qual sou estranho - e uma viagem marcada para Bruxelas com reunião de dois dias numa nova modalidade que teria que preparar. Os dois dias: quinta e sexta-feira: ontem e anteontem.
Engónhei (com acento no ó) quanto pude até que quarta-feira decido realmente preparar a reunião belga. Escrevi umas merdas, repesquei algumas outras e quando comecei a sentir a vida a regressar ao corpo tinha 68 slides feitos.
3 de Setembro, 5 da matina: levanto-me e agarro no papel onde tinha escrito o trajecto de metro a fazer para apanhar p tgv. Acontece que, junto com os papéis tinha os bilhetes previamente retirados de uma caixa automática e, enquanto partia alegremente na ainda noite de paris-frança, os bilhetes deitavam-se e continuavam a dormir no sofá da sala. O circuito de metro quase feito e o idiota decide meter a mão na pasta para sacar os bilhetes de acesso ao grupo de lugares onde ia fazer a viagem com 3 pessoas do trabalho. O cromo-mor, gravata a apertar o pescoço no calor do metro, já transpira abundantemente à chegada à Gare du Nord.
Aqui têm o meu regresso. Vamos buscar uma cerveja num instante que já vos conto o resto pelo caminho, diria o morcão, se estivesse agora no XL com os amigos...

terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Rock en Seine 2009 - Paris - 29 de Agosto (2)

FAITH NO MORE
Dedicado a um amigo que conheci a ouvir Faith No More (ou não...) e escrito sob pressão dele


O meu próximo "Concertos Que Não Vi" era para ser sobre Faith No More. E será sobre Faith No More. Primeiro, porque Faith No More, no Pavilhão do Bessa, a 30 de Junho de 1993 (Hèlasssss!) foi um concerto que não vi. Depois, porque continuo a lamentar não ter visto um concerto em que era ainda Jim Martin quem tomava conta das seis cordas. Conheço mal os álbuns posteriores ao Angel Dust, aqueles precisamente em que ele não participou. São bons álbuns. É excelente música. Não perdi de todo o interessa que tinha pela banda quando o Jim saiu. Mas os álbuns depois de The Real Thing e Angel Dust não são seguramente um anti-climax mas são, sem dúvida, um pós-climax.
***
Conheci o Gonçalo em 94. Fomos, casualmente, postos frente a frente numa situação imprevisível para mim. Conversamos o bastante para descobrirmos pontos em comum. Mas, de uma certa forma, foi a música dos Faith No More que realmente nos aproximou. Não sei se apanhei boleia e os ouvi no carro dele. Ou se, conversa puxa conversa, ele me falou do concerto que tinha visto (sim, o tal de 92). Mas sei que foi a partir daí que me apercebi que ele era dos meus. Até hoje. Contando década e meia em que já cruzamos amigos, aventuras, noites, bebedeiras e até mesmo um palco.
***
Mike Patton é um crooner. Um crooner do rock. Já o tinha dito quando vi Mr. Bungle no alto minho no ano 2000.
Agarra no micro, agarra no público, e impõe a sua voz e o seu carisma a uma multidão que pagou para o ver.
À frente das cortinas vermelhas de teatro, cabelo puxado atràs, fato bege, flor na lapela, é uma verdadeira Rock Star.
Tão verdadeira como quando, na Brixton Academy, o vemos de calças de couro, tronco nu, cabelo pelo meio das costas e capacete à polícia a berrar-nos que queremos tudo mas não o conseguimos ter. Que está nas nossas mão mas não o conseguimos agarrar. Como o concerto de 92.
***
E seja cantando uma tal de Reunited ao som de piano, e partido para a demolição com From Out Of Nowhere, Be Aggressive (sem o coro das gajas tão descaradamente copiado por Marylin Manson anos depois), Caffeine e Surprise! You're Dead, seja quando partiu para as músicas pós-Martin, cantando a Easy com solo de guitarra a preceito (superior ao solo de sax do original dos Commodores e melhor que a voz do Lionel Richie, claro), para não falar de Midlife Crises, Epic ou o fim glorioso com o "We Care a Lot", ele é sempre o maior, ele é sempre o centro.
Foi potente. Vi franciús a berrarem as putas das letras todas. Vi o pessoal em êxtase. Procurem no youtube, vejam os comments.
***
Faltou o The Real Thing (um hino). Faltou o Malpractice. Ou o Crack Hittler. O Smaller and Smaller. E o Crab Song. Faltaram muitas, claro, menos do que teria faltado há dezasseis anos quando se celebrava o Angel Dust no Porto. Faltou-me estar um bocadinho mais perto do palco (não estava longe).
Foi muito bom.
FOI MUUUUUUUIIIIIIITTTTTTTOOOOO BBBBBBOOOOOOOOOMMMMMMM


domingo, 30 de Agosto de 2009

Rock en Seine 2009 - Paris - 29 de Agosto (1)

Questões para um festival

Em plena deprê de regresso ao trabalho, com um dia (horrível) já no bucho, fomos para St-Cloud e - juro - diverti-me em grande no meu único dia festivaleiro do Verão de 2009. A talhe de foice, algumas impressões recolhidas do meu único festival fora de portas:

O problema do Ambiente
  • O ambiente não é problema num festival. Gente pacífica, bonita, predominantemente jovem, à excepção de alguns avós (uns mais outros menos freaks, com ou sem o ácido dos 60 a tilintar nos neurónios) e alguns netos (que até tiveram direito a um mini rock en seine com ateliers de iniciação a instrumentos musicais, visitas, pintura em murais, e um bar rock de cocktails explosivos... de frutas, além de um museu rock)
  • Mas e o outro Ambiente? With capital A? O de todos? Para comprar uma cerveja, a primeira, era necessário entrar com mais 1 € por um copo de rijo plástico (meio litro, porque não?). Esse copo, entregue e substituído a cada "reabastecimento" por um lavado. seria trocado à saída pelo euro inicial. Resultado: nem um plástico no chão!
  • Os sacos do lixo também abundavam. Por isso, apesar de algum descuidado (ler porco) que deitasse um papel ao chão (e muita papelada nos deram nessa tarde), o ambiente era tão limpo como qualquer rua do centro de Paris.
  • A água: não, não é a bebida de eleição para um festivaleiro mas em casos de extrema necessidade pode beber-se uma gotinha. Num espaço bem cuidado, havia panfletos informativos sobre as vantagens do consumo de água da torneira (menos embalagem, menos transporte, qualidade assegurada, gosto regularmente controlado, preço mais baixo). Para além dos folhetos e cartazes, um conjunto de bancas com torneiras onde podíamos abastecer os famosos copos de plástico ou qualquer garrafa de água à borla. Pensei no preço que nos cobram por 20 cl do precioso líquido se H2O Luso ou Vitalis (consoante o patrocinador) na maioria dos festivais. Infelizmente, este vosso escriba, por razões filosófico-religiosas, não provou.
  • As casas de banho secas: todos sabemos que mijar neste tipo de evento é uma odisseia. Estas casas de banho passaram a prova da eficiência e o teste do nojentinho, mesmo com alguma fila de espera no sector feminino. Bidões de plástico com aparas de canas de madeira ou palha que seriam posteriormente utilizados como fertilizante. As mais limpas que encontrei neste tipo de evento (e mesmo comparado com eventos bem menos frequentados e com muito mais possibilidades, como um que visitei recentemente no autódromo de Portimão). E não consta que os franciús caguem menos que nós. Papel higiénico. Lavatórios com torneira. O blog aqui ao lado tem uma pequena descrição e está mais bem documentado.
  • O transporte: fui de metro e a pé. Mais ecológico só a correr, mas talvez a pegada ecológica deixada pelo sovacame deitasse tudo a perder...
  • Nota menos para a quantidade de papéis no chão no circuito de acesso, antes da apresentação do bilhete. Tanta gente a distribuir papelada, revistas, cartazes e poucos ou nenhum caixote do lixo tinham que dar nisto. Mas eu começo a conhecer estes tipos: aposto que segunda-feira está tudo recolhido e limpo. Se não houver greve.
O problema da Saúde
  • Tampões para os ouvidos eram distribuídos à entrada e encontravam-se disponíveis em recipientes no interior do recinto. Importante para os mais sensíveis ao massacre decibélico da frente do auditório ou quando tocam bandas tipo Off Spring. A retirar para deixar entrar todo o som Faith No More em estado bruto.
  • Num bar (sim, um bar com balcões e esplanda e mesas e cadeiras) podiam fazer-se testes de alcoolemia. Também passei de raspão por uma brigada que procurava o tipo que leva o carro e não bebe. Mas não falei com eles. Não fui de carro. Bebi.
  • Nota menos para a distribuição de preservativos. Só nos entregaram um. De acordo, até podem dizer-me que não se vai para um festival para foder, mas... Com as tendas, sem máquinas à venda e tanta hormona em ebulição com o calor que tem estado...
O problema do Comércio
  • Um festival é dinheiro, negócio, diversão, férias com subsídio ou mesada extra, patrocínios. A música vem lá atrás e dá o mote mas sorte dos verdadeiros fãs que tiveram a experiência de ver as suas bandas de eleição em coincertos dedicados em que até a banda de suporte era uma boa surpresa escolhida pelas "nossas" bandas.
  • Hoje qua há de comum entre a música, a comida (francêsa, africana, asiática), a cultura, e a contra-cultura, os grupos de defesa disto e daquilo, as companhias de telemóveis e os jogos vídeo? É a economia, estúpido. E nem vale a pena discutir mais: "comida do mundo", sumos sem alcoól, tenda para jogar Guitar Hero, Levi's Motel, Espaço Société Généralle (Espace So Zen). De qualquer forma, eu lá trouxe a t-shirt, vício antigo e menos uma compra na Zara ou outra porcaria qualquer. Também é um facto que lá estava a fundação Abbé Pierre a promover a habitação aos desfavorecidos.
O problema das Drogas
  • É claro que vi malta a fazer e a fumar as suas ganzas mas a um nível infinitamente menor que em qualquer festival tuga. Será por isso que as pessoas me pareceram mais activas e alegres?
  • No entanto, devo dizer que, à saída, sniffamos tanto pó levantado pela manada em retirada que passámos a noite completamente entupidos. É como se fosse uma droga mas só com os indesejáveis efeitos secundários.
Bem, amanhã tenho que ir fazer aquilo para que aqui estou: trabalhar. Já estou com calafrios. Há uma parte que não muda nas férias desde a escola até hoje: a seca do regresso. Mas há uma parte no regresso de agora que é diferente: é que é muuuuuuito pior!!

sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

Aujourd'hui

Hier

quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

E pronto: o que é bom acaba

Amanhã é dia de trabalho, 6ª Feira. Hoje deixo o Sol ainda bem quente de fim de Agosto e o cheirinho do mar.
Que se lixe, não há-de ser nada, daqui a um mês e pico estou por cá outra vez.

terça-feira, 4 de Agosto de 2009

Kimoto esteve aqui

É verdade, entre o Porto e Amsterdam, deu para beber umas súrbias e obrigar-me a ir trabalhar hoje com a cabeça entre o pesado e o satisfeito. Curtam aí essas linhas de comboio, Leninha, Trokka, Cristiana, Géni e Kimotinho, foi bom ter-vos por cá (em contagem decrescente para a nossa terra :))

sábado, 1 de Agosto de 2009

Espaço de Entrevista

Depois de uma aturada pesquisa e buscas mais ou menos perigosas encontrámos o gajo. Melhor: convencemo-lo a conceder-nos tempo de entrevista. Uma entrevista que nos permite conhecê-lo melhor, mas também conhecermo-nos melhor a nós próprios e ao tempo em que vivemos.
Texto: ParisMosh / Fotos: não há fotos.

Boa tarde. Queres apresentar-te?
Boas. Bem, que posso dizer de mim que outros não possam dizer melhor? Nasci aqui, fiz os meus estudos, voltei à terra, sou feliz, não guardo rancores nem tenho inimigos, mas são vocês quem me pode julgar melhor

A tua vida podia ter sido diferente?
Em que aspecto?

Houve algum momento em que a tua vida tenha tomado um rumo diferente?
Houve muitos...

Não. Percebes o que eu quero dizer...
Imagina que estás na estação de chegada de um comboio. E agora começas a fazer a linha em sentido contrário, até ao ponto de partida. E de cada vez que encontras uma agulha, pensa que esse comboio poderia ter vindo de pelo menos dois sítios. Ou ter ido para dois ou mais direcções diferentes e vai andando sempre para trás até chegares àquela que sabes que é a estação de partida.

Óquei, já percebi... avancemos...
...mas a verdade é que, se tivesse entrado na universidade logo no primeiro ano...

...
Ou se não tivesse

...
Deixa lá

...
Há uma coisa que mudou a minha vida

Queres contar?
Em 1808, durante as insurreições populares contra a ocupação francesa, o meu tetravô era um grande proprietário. Tinha terras, dinheiro, uma posição social na cidade. Era dono da "Companhia das Azóias", uma fábrica de vidro estável e lucrativa.
No furor das revoltas, sequestraram o meu avoengo, encheram-no de pancada, arrastaram-no pela vila (uma vilória perto de Braga), saquearam-lhe a casa, e pegram-lhe fogo à fábrica, que ardeu de alto a baixo...

Ela era malquisto?
Não. era só rico e nem sequer sabia uma palavra de francês. A verdade é que já pensei que, se ele não tivesse sido aniquilado daquela forma, eu poderia ter nascido rico e "de boas famílias", um daqueles betos merdosos sem problemas.

Como considerarias a tua posição social?
Diria que sou de classe média-alta... Bem, er... clásse média.

Classe média?
...baixa. Média-baixa. O meu pai é administrativo num hospital e a minha mão é camionista. Mas tive uma infância feliz.

Ando com esta entalada há muito tempo: o que é que faz exactamente um administrativo?
Queres o contacto do meu pai?

Não, mas sempre quis saber o que faz exactamente um administrativo?
Não te sei dizer. Sei que trabalha com papelada, computadores e ganha mal.

Tem bigode?
?!

O teu pai tem bigode?
Não!

Então foi a tua mãe que veio cá perguntar por ti. Mas vamos parar com a conversa fiada e falar daquilo que interessa a toda a gente.
...

Sexo?!?!
Ah, OK

Como é que foi a tua primeira vez?
Foi com uma putinha que era pouco mais que virgem mas saltava em cima de mim como uma desvairada

Podes descrevê-la? Fisicamente...
Parecia uma actriz porno. Refiro-me à fase antes do silicone e depois dos clássicos.

Estou a ver. Carinha bonita, pele branquinha, não muito alta, cabelo pelos ombros, mamas boas, um nadinha descaídas, barriga lisa e pernas curtas.
As pernas eram curtas mas carnudas.

Tens saudades desses tempos?
Eu era mais novo. E claro que já a fodia outra vez

Quantas vezes foste para a cama com ela?
Cama?!

Quero dizer, quantas vezes tiveram sexo?
...

...
Bem, andamos naquilo uns seis meses. Acontecia umas 4 vezes por semana, às vezes tardes inteiras. Umas cem vezes... assim por alto...

Não está mal.
Eram bons tempos

Queres falar-nos de alguma coisa importante que aconteceu na tua vida?
Cheguei a jogar futebol num clube da segunda bê!!

!!!!!!
E fui expulso de uma aula no segundo ano. Do ciclo.

Quando eras puto, por volta dos sete ou oito... óquei, quando andavas na primária, perguntavam-te o que é que querias ser quando fosses grande?
'Tás a brincar comigo? Isso é um clássico!

Claro que sim. E o que é que respondias?
Dizia que queria ser decorador de interiores

!?!!??
Não (risos), tou a brincar. Não me lembro.

Não te lembras?
Sempre quis ser alto e bonito.

Não és muito alto.
Não se pode ter tudo.

É bem verdade: eu sempre quis ser piloto de fórmula 1.
Heheheh, e o que é que fazes?

Neste momento, estou desempregado. Mas quam faz aqui as perguntas sou eu.
Não quis ser insolente

Não há problema. Ando um bocado cansado. A precisar de férias, e tal...

sexta-feira, 31 de Julho de 2009

ParisMosh (com a colaboração de MilanoMosh) apresenta...

... A BURRATA

Ir trabalhar a Itália é sempre um atrofio. Nunca se sabe bem do que está à espera, o que se vai ouvir, os coelhos que vão sair daquelas cartolas de design bem aprumadas. Num momento estão a abanar a cabeça muito sérios e a concordar com aquele sotaque cantado de inglês que acentua sempre a última sílaba das palavras e no momento seguinte a dizer o contrário daquilo que estavam a ouvir. Depois têm um hábito (pode ser entendido como uma capacidade extra, mas funciona muito mal) que é o de falarem ao mesmo tempo dos outros, que irrita os menos preparados. Em comparação com os Espanhóis falam menos alto, mas são muito mais ao mesmo tempo. E é bonito de ver: um tipo começa a falar, o outro começa a falar por cima e ficam assim uns minutos. E, claro, estão convencidos que se entenderam. Pior: um tipo (eu) começa a falar, eles começam a falar ao mesmo tempo, o tipo (eu) pára e eles também se calam. Já me garantiram até que é falta de educação parar de falar em casos destes mas,
foda-se,
eu é que não sou maluquinho. Têm uma terceira característica que é o "dipendi". Irrita, essa pôrra, é a prova provada que não têm regras, não escrevem nada, não descrevem nada de uma forma clara, não cumprem nem fazem cumprir nada. Depois, põe-se-lhes uma questão simples e a resposta é "dipendi!". Porque depende sempre tudo de uma série de merdas que não têm qualquer explicação lógica nem se relacionam em nada com o assunto em causa e normalmente para qualquer caso há sempre mais excepções do que regras.
Bem e porquê toda esta introdução? Olha, porque me apeteceu desabafar um bocado e aqui ninguém me cala. Mas porque é que eu ainda me ponho a responder a estas vossas perguntas?

Mas quando um dia de trabalho é difícil, é bom estar numa cidade onde se come tão bem e com tanta qualidade de serviço como em Milano. Não, não é barato. Queriam quê?

Pois bem, fiquei num hotel diferente do habitual. Onde ficava há 3 anos está fora de questão desde a explosão da crise, onde tenho ficado recentemente está em obras.

Fiquei num hotel na Viale Certosa, se querem saber. Mas também não sei porque é que querem saber tudo. Não sei que é que se passa convosco hoje.

Pedi para me indicarem um restaurante na recepção do Hotel e lá fui (com um colega que estava a trabalhar comigo e estava no mesmo hotel).

Fica já aqui o endereço, mas não se macem, se forem à capital da moda: entrem num restaurante e sentem-se. nove em dez vezes vai ser muito bom:
Ristorante-Pizzeria: uno piú Via M.U. Traiano. 62

Quando o meu colega pediu a sua entrada, uma caprese, a simpática senhora que nos servia, disse que tinha Burrata. Wow, disse logo que queria. De facto, não é nada fácil de encontrar. Mesmo em Milão, não é dado. Sei que em Paris se pode comprar, vindas de avião no mesmo dia, frescas. E consigo o contacto do tipo, mas até tenho medo de saber o preço.

aqui vos tinha falado dela, en passant. Na verdade é um queijo fresco preso numa camada de Mozzarela sólido. O queijo fresco é de leite de Búfala, tal como o verdadeiro mozzarela. Este é bem melhor do que o regular mas, que fique escrito: adoro queijo e não acho o Mozzarela nada de especial. Mas a burrata:













Olhem-me só este aspecto. Hmmmmm...









E depois espeta-se a faca, e começa-se:












Nota-se que é difícil parar. Ainda por cima, não cancelei a outra entrada que já tinha pedido, por isso acompanhei com um prato de enchidos (abstenho-me de comentar os enchidos, porque é de Burrata que falamos).
Adicionar imagem












Que delícia... está quase a acabar:









Não sei se dá para perceber bem com as fotos tiradas do télélé, mas acreditem...

Depois comi a refeição.Excelente, também...

Uma palavra só, para acabar, sobre as pizzas. Já jantei umas dezenas de vezes em Milão e pouquíssimas vezes comi pizza (apesar de terem sido boas experiências). A propósito, junto com a Burrata trouxeram-nos uma "pseudo-pizza" cortada aos bocadinhos, tipo, tão a ver, a fazer de pão. E isto apesar de já lá termos o pão. Hehehehe, estou cá com um sorriso.
Isto é, se forem por lá estas férias e fizerem, digamos... 6 jantares, façam um de pizza. Só para dizer que... bem, vocês sabem. Mas os outros, aproveitem bem. E, se puderem, peçam Burrata.

E se forem em trabalho: tenham paciência. Esta vida são dois dias e janta-se pelo menos num deles.

sexta-feira, 24 de Julho de 2009

Olha a promessa

Gonça, então e a data dos Faith No More? Ainda não foste ao armário da roupa velha? Olha que esse post tem que ser escrito numa sexta-feira e é mais uma que passa.

A propósito, ando a ler o castelo, do bom Francisco. Que forice...

sábado, 18 de Julho de 2009

É secreto mas vai pelo correio

É verdade: já está e nem vos tinha dito. Já estou recenseado cá no burgo. Mas não foi fácil. Custou-me umas horas de férias e mais de um terço de um Douglas Coupland. E olhem que é um catrapácio de 460 páginas.
(Muito bom, by the way, o JPOD).
Fui atendido por um funcionário que é carinhosamente apelidado de "osrdodosgundandar". Foi a segunda vez que lá fui e que o designaram assim entre eles. Com um misto de descaramento à vontadex e de retracção perante o contribuinte. Eu.
O surdo é exasperante. Ouve (muito) mal, mesmo com o aparelho, e ainda se explica pior. Mas pronto, nas próximas eleições já posso votar (por correspondência) numa cambada de chupistas.

quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Paris em 4 dias

Ressaca de 4 dias com visitas e sem forçar os clichés turísticos. Amanhã, ao trabalho, fica aqui um quick review:
  • Exploração do quartier Pernety - Gaîté
  • Bastille com direito a cerveja de 12,5 € (brrrrrr!) antes do autocarro do amanhecer
  • Uma área de "ateliers" artísticos zona de antigas oficinas de móveis e que resistiu, após movimentos de artistas e apoio da mairie do 12ème, à ferocidade urbanizadora. Com direito a conhecer um tuga que vai exportar a sua cerâmica a New York e que espera que nada lhe seja devolvido e a comer um bolinho e um sumo na zona de uma amiga escultora
  • Champs Elysées, incluindo uma comprita de um shopping adict que eu cá sei e um vislumbre dos tanques que iriam desfilar no 14 de Julho, além dos comentários das máquinas passantes, com direito a cilindrada, potência e preço pelo nosso Pinhinho (deste posso dizer o que quiser, que ele não berloga)
  • Place Moufettard num baile (pouco) típico da véspera da Tomada da Bastilha, com teenagers mais ou menos inconscientes a dançar à volta e dentro de uma fonte, umas mais malucas que outras, um japonoca de sapatinho e calcinha de ganga que acabou por cair dentro da águas (duas vezes), um velhote sem-abrigo que dançava como se não houvesse amanhã, emborcando o que pudesse nos intervalos e tirando a camisola, as sapatilhas e as calças no culminar da sua sexy dança
  • Comida Japonesa, Grega, Portuguesa, Mexicana (uma especialidade yellowcab), Vietnamita, Chinesa e, claro, Francesa.
  • Cerveja Portuguesa, Francesa e... a Heineken é Holandesa, não?
  • As boas e velhas suecadas (ai que saudades)
  • Por falar em sueca, à vinda do Sacré Coeur, loja para turista ver, eu e o Pinhinho a ver baralhos de cartas de gajas nuas e gajos nus (ele gosta) e o comentário do empregado da loja "essas não dão muito jeito para jogar à sueca" LOL, típico
  • Por falar em Sacré Coeur, um tipo espantoso a dar toques de bola em frente à catedral. Mas espantoso MESMO, uma parte está gravada
  • Butte aux Cailles, um segredo bem guardado da turistada maníaca, mas muito bonito, apesar de uma chuvinha que quis caír
  • Marché aux Puces (antes dos Champs Elysées, para se ver que há de tudo por aqui - menos preços baixos)
  • Bicicletada à noite com o Maninho (se não, nem a Torre Eiffel víamos)
  • As Parisienses, oh, as Parisienses, no comments
Falhámos a Notre Dame (fica para a próxima), mas foi um fartote de Metro, Bus, Noctilien, e mesmo sapatilhas, castanhinhas e com uma estrela ;-) ainda por cima com um Inválido que teimava em acompanhar-nos mesmo assim. Grande Sérgio, que deixou as muletas em casa e veio recuperar a rotura de ligamentos em grande marcha


Cá vos espero para uma próxima!!!

Copyleft: Foto de Everything (ou, pelo menos, da sua machine)

segunda-feira, 13 de Julho de 2009

O outro lado do post abaixo

terça-feira, 7 de Julho de 2009

Concertos que não vi 4

Guns N' Roses - Alvalade - Lisboa 2 Julho 1992

Segunda-feira, 22h20. Já acabei de jantar, dei uma pequena volta ao quarteirão, acabei de ler um livrinho. Já escolhi o fato para amanhã e adiantei o nó da gravata. Assim vai mais rápido amanhã, entre o toque do despertador e o café que não me conseguirá despertar.

Que longe vai esse Verão de 1992. E quão próxima dele está ainda a minha cabeça. E o meu coração, o fígado, os intestinos, os pulmões e o baço, os rins, todo o meu corpo e vontade.

Hoje de manhã peguei na mala com o computador, saí de casa, cortei na Rue Lebouis até à Rue de l'Ouest que subi até atravessar a Av. do Maine para meter na Rue Gaîté directo até ao metro Edgar Quinet.

Há 16 anos, teria saído com a mochila, atravessado a Nacional 1 para esperar pela camioneta na paragem. Teria talvez deixado passar duas camionetas porque era na Caima que vinha a Ana Maria, loirinha por quem estava apaixonado até às lágrimas sem nunca com ela ter trocado uma só palavra. A camioneta levar-me-ia até ao Colégio dos Carvalhos, dando tempo para um café no Cruz antes de ir para a aula.

Hoje tive uma reunião com um administrador. A minha parte no projecto tem luz verde, mas quase preferia ter sido travado. Não estou muito para aí virado e ainda não sei muito bem como é que vou pegar na fera. Também ainda não sei muito bem como é que vou pegar na DRH com quem partilho a metodologia do projecto, mas às vezes dá-me vontade que seja pelos cabelos.

Há 16 anos teria tido uma chamada ao quadro, ou um teste, ou um menos na caderneta. Mas de certeza absoluta que respondi bem, tive boa nota. Naquele tempo, sabia sempre responder bem. E acho que era mais respondão. Mas não sei.

Hoje não almocei na cantina. Fechou para obras. Mas também não almocei no refeitório do Colégio, nem fui para o Iber a seguir, olhar para a Ana Maria. Não deu o video-clip do November Rain em nenhum lado, nem fui passear com o Kimoto, o Cid e o Filipe para a urbanização, de lenço na cabeça e guedelhas ao vento. Acho parolo andar de lenço e já não tenho guedelhas. O Kimoto está longe. O Cid também. O Filipe ainda mais.

Tenho saudades tuas, Filipe. Tenho saudades de ver os teus dedos grossos no braço fininho da tua guitarra de quinze contos, enquanto fazíamos a versão Guns do Knockin' on the Heavens Door no salão vazio de minha casa, nível decibélico de pista de aeroporto internacional.

Hoje (há 16 anos) terei ouvido algo do Ride the Lightning, talvez começasse a eito pelo Fight Fire With Fire. Na verdade, estou a ouvi-lo agora e, se não ter ido a Alvalade em '92 foi desculpa para ter ido ver James Hetfield e companhia em noventa-e-três então, ainda agora agradeço a aposta ganha. Conheço quem tenha ido aos dois e melhor do que eu o dirá. Mas gostava de ter visto o Axl a armar em virgem ofendida. Gostava de ter olhado para aquela cabeleira de caniche de luxo em cara de junkie que tinha (e tem) Saul Hudson, Mr. Slash. Gostava de ter visto o Matt Sorum que já tinha saído dos Cult nessa altura. Gostava de saber o que é que tocaram, sabendo que têm tantos hinos para tocar, sempre. Hinos que hoje ouço com grande gozo hard-rocker, depois de os ter abandonado e de me ter reconciliado.
Tocaram o Estranged? O Coma? A versão do Mama Kin dos Aerosmith? O Live and Let Die? O November Rain? Reckless Life? One in a Million? O Double Talkin' Jive dá para tocar ao vivo com aquele solo espanholado de guitarra acústica? O Welcome to the Jungle? E o My Michelle? Rocket Queen? Terão dançado com o Mr. Brownstone? Eu não suporto o Sweet Child O'Mine, mas terá o Slash distorcido o tema d'"O Padrinho " para abrir essa balada repugnante? E o Back Off Bitch, a minha música "pós-desgosto-púbere-amoroso"? Terá Duff, um dos mais punks baixistas de rockenroll de sempre cantado o "So Fine"? E essa orelhuda mas potente Don't Cry? Alguém me saberá dizer se foi cantada com a letra original ou na versão "alt. lyrics"?

E será tudo isto apenas uma colecção de detalhes? Que tal falar do luxo das duas bandas de suporte que lá estiveram? Soundgarden no auge do grunge (triste tipologia esta) tocavam a abrir e era banda que gostaria de ver e, acima de tudo, dos próprios Guns, a banda que acabaria por perder ainda outra vez (lá iremos) e para quem TENHO BILHO, 16 ANOS DEPOIS: FAITH NO MORE.

O meu amigo José, antes de ser Barleby, antes mesmo de ser Guru, também lá rumou, só para os ver.
Ele e a (agora minha compatriota) Fabi (há c'anos!) encontraram nessa noite, no bairro alto, uma carteira com cinco contos de rei em altura de aflição.
Não queres abrir o tasco para contar essa, Zé? Não queres, ao menos, mandar-me um correio, que te empresto o tasco?

Conta-me coisas boas desse concerto, Huguito, façam-me ter mesmo pena de lá não ter ido, dêem-me vontade de mamar Jack Daniels até me correrem as lágrimas pela cara abaixo, por não ter feito naquela noite o que só poderia ter feito naquela noite.
Deixem-me voltar atrás para fazer um pirete aos profes, para roubar uma caixa registadora de um super-mercado, fugir de casa dos papás, apanhar boleia de um grunho a cheirar mal, comer bolos e rebuçados, dormir na relva até sentir o orvalho nestes ossos, beber cerveja azeda de copo de plástico, suar como não suava nessa altura, virgem ansioso e deseperado que só queria metê-lo na primeira que aparecesse, tivesse ela quinze ou cinquenta e cinco.
Deixem-me voltar atràs para esperar mais um ano, acalmar as hormonas e as frustrações, para poder ir outra vez ver Metallica e dizer ainda bem que não fui o ano passado.
Ou sou só eu a convencer-me disto?

Próxima edição: Faith No More - Pavilhão do Bessa - Porto 30 Junho 1992 (de certeza? Gonça, ajudas-me?)

sábado, 4 de Julho de 2009

Hangover

Venho agora de comprar umas maçãzinhas. Alguém aqui em casa está "doente". O Sol inunda o meu bairro, um calor de Verão cola-se-me à t-shirt do dia anterior.

(Flashback)

Ontem arrancam-me a esta mesa para apanhar o metro em corrida para Guy Môquet (nunca tinha ido para aqueles lados). A espanhola que, ao jantar, nos tinha ajudado a arrumar com o vinho apresenta-nos uma amiga que tinha conhecido na Argentina. É de Gaia. Está em Paris há uns meses. Faz um doutoramento na área de cinema. Chegou precisamente no mês em que chegámos. Já mudou 3 vezes de casa (!!!). O namorado não estava cá ontem. Está no Equador (!!!).
À medida que íamos sendo expulsos dos bares que fechavam, íamos procurando outros. Até irmos a um bar brasileiro. Uma alegria. Num palco uma brazuca à guitarra e um jeitoso baterista punham tudo a mexer. É sabido que fujo da maior parte da música brasileira como o diabo da cruz. Mas a única cruz que carreguei ontem foram os meus pés de chumbo que uma preta simpática tentou ajudar a descolar. Sem grande êxito. Outro black falava com a nossa taxista. Arranhava o Português, sabe-se lá como (amigos, dizia ele). Quando saímos, confio no GPS de taxista para encontrar o ponto onde tínhamos estado horas antes. E ela encontra. Depois tratámos de perguntar onde apanhar o Noctilien. Encontrámo-lo graças a uma black que ia para Chatelêt (ou era St-Michel?). O Noctilien era alegrado por um tipo que fazia toda a festa. Que é que ele cantava mesmo? Ou declamava? E em que língua? Não me lembro, mas via-se que lhe saía do âmago.
Abrevio os problemas técnicos que nos fizeram sair do autocarro para entrar noutro uns minutos depois e chegar a casa ao alvorecer deste dia soalheiro.

Agora, my dearest, é aguentar a ressaca, e ver se consegues ter forcinhas para ir ver o "nosso" OLIVEIRA que estará perto do Hotel de Ville, em pessoa, a apresentar o seu "Singularidades de Uma Rapariga Loira"

sexta-feira, 3 de Julho de 2009

A pain that i'm used to - Oub'lá!!

Era bonita e boa. Com aquele estilo rebelde, indomável, inacessível. De repente dei por mim com ela. Não sei como é que aquilo aconteceu, não sei quais foram as palavras, qual era a moca, donde veio a atracção (a dela). De repente aí estávamos, naquele tempo havia tardes. Tardes de Sol, tardes de sexo, tardes de bebedeira, tardes de leitura, tardes de palavras cruzadas, tardes de praia, tardes de compras (detesto compras), tardes de toda a vida possível numa tarde. Agora só há noites. E poucas. E curtas.
Sei que fumámos daquela merda. Fumámos um dia. Fumámos no dia seguinte. Fumámos no outro.

Nunca pensei naquilo, só fumava. Fumava porque estava com ela, que era boa. E inacessível. Já tinha dito? Até que dou por mim sentado numa pastelaria entre duas aulas. Naquele tempo havia espaço entre as aulas. Dava para jogar cartas, estudar, beber uma cerveja, ler o jornal, ir às lojas (naquele tempo não havia só a FNAC) "picar" cd's.
Estou numa pastelaria e não estou a pensar em nada de especial. Sei que de repente, vejo a minha perna a tremer, o pé a batucar. Ainda hoje faço isto, mas naquele dia foi uma cena mais louca. Porque parei e pensei:

TENHO QUE FUMAR MAIS DAQUELA MERDA.

(...)

Todos tivémos os nossos ídolos mais velhos. Eu tive (ainda tenho) imensos. Ele era um gajo cheio de estilo, menino rico, mas rebelde, inteligente e com boas notas, mas capaz de pôr um colégio de meninos queques e rebeldes em alvoroço. Sózinho.

Naquele tempo ia-se para casa dos pais dos amigos passar fins-de-semana. Os fins-de-semana não eram exactamente os oásis meio áridos do deserto de merda de vida que se leva. Eram só dois dias em que nos levantávamos mais cedo para fazer cenas mais fixes que apanhar a camioneta para ir às aulas. Nessa manhã, levantámo-nos para ir ao Supermercado com a mãe dele. Ele fez questão de meter duas latas de 7up no carro de compras. "É para misturar com o bagaço logo à noite".
Não sei quantas noites fiz isso e quantos intervalos tive entre umas e outras e a que taxa diminuiram os espaços entre elas. Uma vez disse que já não o fazia há bué e tinha passado só aquela semana. Sei que vou na terceira, é de tarde e ainda não jantei.

VAMOS SÓ ALI BEBER MAIS UMA!

(...)

E encontro-o na pista. O espaço era bonito e surpreendentemente diferente. Era uma antiga casa de strip, mas foi bem transformado. A música era sofrível e o ambiente era o do costume naquela pequena cidade conservadora e fechada. Quando saí com ele da casa de banho, a música estava a bombar, a malta mexia-se, toda a gente sorria, falei com todas as meninas bonitas e empertigadas do tasco e elas respondiam-me cheias de sorrisos. Conversei horas e horas, ri-me que nem um doido e a próxima vez que lá fui já só queria comprar meio grama daquela merda.

(...)

(isto podia contrinuar mas vou ter que vazar, acabo o cigarro e este meio-copo de tinto e já venho)

sábado, 27 de Junho de 2009

Extra! Extra!

Michael Jackson morre devido a overdose de aspirina

Foi conhecido o resultado da autópsia ao cantor norte-americano recentemente desaparecido. Segundo o relatório do LMNI (Legal Medicine National Institute) e do seu director Joseph Pint of the Coast, o peter pan a preto e branco sofreu uma overdose de aspirina e ben-u-ron.
"Ele estava sempre com dores de cabeça", disse ao Paris Mosh o seu médico pessoal.

sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Mais uma semana

Pois é, Brolquista, vou explanar (como em "explanar o nosso futebol" - Engenheiro Fernando Santos), o que é que foi feito dessa semana em que deveria estar de férias:
Segunda-Feira: Reunião dia inteiro. Apresentação do modelo de negócio da unidade de negócio para as suas filiais, Francesas ou Internacionais, incluindo divisões (eu depois explico...) e dos objectivos estratégicos para os próximos anos. Direcções de Marketing, Operações mostraram os seus modelos, a situação actual e as previsões para um futuro próximo também foram abordadas. É um daqueles dias em que se chega ao fim e se pensa: "e agora? quem é que faz o meu trabalho? "O de hoje, I mean, que ele não azeda.
Terça-Feira: Reunião com o CHEFE para apresentar os resultados (intermédios) de uma acção (de um conjunto delas) levada a cabo na Bélgica, Itália, Portugal e Espanha nas últimas semanas e propôr um plano de acção até Setembro no apoio a esses países. A seguir, vira o disco e entra o Director Financeiro e a Responsável do Controlo de Gestão, a quem mostro o plano de custos e sua distribuição para transferir um colega de uma equipa para outra (a minha) e contar com um consultor para dar continuidade ao plano de acções definido anteriormente. Dassssss, agora pareci um político a falar, mas esqueçam, é só a minha vida paralela, fuck it, há quem a tenha pior. Em suma, um bocado de ginástica de custos e show de números. Haja quem goste. Passou, embora ainda falte o pior. Explicar a quem irá ser facturado e pagar e levar com as choradeiras deles. Mas é tudo entre "irmãos". E isso virá a seu tempo. Por agora ainda tenho que receber a Controller de Itália e um "cargo político" do grupo que me pede contas de um projecto em que, para ser bem honesto, não estou a ser bom. Hoje vou cedo para casa, amanhã não vai ser fácil.
Quarta-Feira: o despertador toca (e eu levanto-me!!) às quatro e meia. O avião parte de Charles de Gaulle antes da hora prevista e chegámos a Milão, ao escritório, antes das nove. Antes deles, os Ritals, para que se saiba.
Custo do Vôo: 90 Eypos (ida e volta)
Custo em táxi: 140 Eypos (só ida, Paris + Milano)
Custo em Hotel: 100 Eypos (uma noite rápida, mas bem dormida, mais collazione)
Conclusão: na escala de luxos temos: primo, viajar de avião (acessível); secondo, dormir (consegue-se poupar para isso); tertio, andar de táxi (ao alcance de privilegiados). Os dois dias de Itália foram engraçados. Boa qualidade de trabalho no primeiro (num tema bastante desconhecido para mim); as informações contraditórias do costume (dependendo do interlocutor e de quem está na mesa); os fantásticos buffets de trabalho que já conhecia bem; o distanciamento de alguns responsáveis que teimam em não se falarem para não terem que explicar o que está à vista, mais o que está escondido e o que está por detrás disso; uma avaria num computador que acrescentou algum imprevisto a um comité de arranque de projecto que estava (quase) bem preparado; e sempre aquele sentimento de que estamos a tentar ajudar quem não quer ser incomodado. A somar, no positivo, um jantar excelente na Praça Duomo, cuja lindíssima catedrasl vi enfim a descoberto.
(No ano em que por lá andei, estava em remodelação, coberta por painéis de um qualquer banco berlusconiano - paineleiros).
Quinta-Feira: à noite, regresso a casa, onde me esperava... uma pizza.
Sexta-Feira: Mais uma manhã extra-curta (no que a cama diz respeito). "Convenção" da entidade onde trabalho. Na verdade, uma pequena empresa de um grande grupo, cujos objectivos passam por definir e executar as operações a nível local e coordenar cada vez mais as operações a nível mundial. Aonde? Na Disneylândia.
Nunca compreendi a febre de ir a Paris para ver a Disneylândia. Para mim, Paris É a disneylândia.
Cheguei lá às 8h30 (e ainda é longe pa caralho) e ganhei mais um argumento para convencer taxistas a não me levarem lá. A essa hora já havia casais com putos por todo o lado. Brrrrr!
De manhã, ateliers para apresentação do dito modelo de negócio (pela rama e levezinho, mas profissional) e das diferentes actividades da empresa. De tarde, uma sessão de percussão brasileira. Cerca de duzentas pessoas divididas em grupos com bombos, tambores, pandeiretas, cow-bells, ..., a fazer barulho. MUITO FIXE!
Afinal não é todos os dias que se vê o PDG a abanar duas matracas com a mão.
E agora, vamos ao fim-de-semana, que também é para isso que cá andamos.

domingo, 21 de Junho de 2009

Que injustiça

O Solstício de Verão aqui é celebrado com música. Saio de casa e vou a Denfert, onde há um palco gigante que ocupa toda a praça com uma série de concertos promovidos pela Ricard (glub, glub). Mas para lá chegar tomo a bela rua Daguerre. Num canto um dj passa discos de techno a rasgar enquanto os seus amigos (todos já bem entrados nos 30 e mesmo 40) enrolam charros e dançam à potência da batida. Mais à frente é um restaurante com banda dentro a dar no jazz. Depois é o blues, à frente rockalhada. Em francês ou em inglês. As ruas estão cheias de gente, miúdos, pais, avós, casalinhos. As bancas estão montadas, onde não houver cafés e onde haja espaço. Sandes, cocktails (caharoletes, Rui Tavares?), crepes. Música celta, africana, árabe, bombos e guitarras, violinos, teclas. A malta bebe na rua. Garrafas de vodka, de vinho, lata de cerveja. Um Sol lindo numa das mais lindas cidades do mundo. E eu que tenho que trabalhar amanhã...

sábado, 20 de Junho de 2009

Oh, Alma Minha...

...que vou ter aqui um jantar e estou farto de descascar alho.